Quem são os empreendedores? Eles existem de fato?
Hoje em dia muito se fala de empreendedores, mas quem é realmente um empreendedor, o que o distingue de outra pessoa a ponto de podermos notá-lo?Sim, os empreendedores existem! Para essa resposta que parece óbvia, sua sustentação está nas obras e no rastro de realizações, possíveis de se observar, que os empreendedores deixam por onde passam.
Para responder, quem realmente é um empreendedor devemos ir um pouco mais além. Uma característica está relacionada à realização, afinal, são pessoas que fazem, que materializam conquistas, mas outras personalidades também materializam, também constroem e deixam seu rastro, e nem todos são empreendedores! Então onde está a diferença?
A primeira diferença está associada à capacidade de sonhar. Parece místico, mas não é. Nos dias de hoje, o ser humano vem perdendo a capacidade de sonhar. As pressões da vida, a competição e a exigência de resultados imediatos nos tiram a perspectiva de olhar para o futuro e de criar quadros imaginários dele. Ao nos focarmos apenas no presente, nossas ações e a alta carga de trabalho diário perdem uma conexão com um desejo maior, com um sentido maior, tornam-se atos isolados, que muitas vezes nos leva a pensar: “para que tanto esforço?”. Por trás dessa pergunta está o sinal da falta de significado pessoal naquilo que se está fazendo. É o ponto inicial da falta de motivação, da tristeza, da angústia no trabalho e de tantas outras mazelas relacionadas ao trabalho, quando na verdade, não é o trabalho que pode dignificar a pessoa, e sim o contrário. Cada um de nós pode dar sentido ao que está fazendo, e dificilmente uma tarefa, ou um cargo podem dar isso a uma pessoa. Nas vezes que presenciamos um cargo atribuir valor a uma pessoa, estamos diante de uma pessoa com problemas futuros. Todos nós conhecemos um executivo ou um político que perdeu o cargo e com ele, a dignidade, a alegria, e a própria identidade. Nunca me esqueço de uma palestra que fiz no interior do Paraná, que ao final fui abordado por um senhor de meia idade, que dizia ter gostado muito da palestra e gostaria de manter contato, me entregou um cartão com os dizeres: “fulano de tal; ex-prefeito”.
Há pelo menos duas maneiras de encarar a vida, sermos ex alguma coisa, uma obra já completa que não se mexe mais, ou um futuro inacabado, que se constrói a cada dia, repleto de sonhos, de possibilidades e de significado pessoal.
Como fazem os empreendedores? Definem uma visão a longo prazo, com muito significado, e com data para se realizar. E como toda boa visão, deve ser cristalina, não deixando dúvidas sobre as suas especificidades.
Não basta ter uma visão clara de futuro para que uma pessoa se torne um empreendedor, mas isso o diferencia das demais pessoas uma vez que desencadeia uma série de outras características de comportamento. O conjunto dessas características é que vai definir o empreendedor e seus resultados.

As páginas desta revista nos dão uma noção de sonho e realidade. Quem não sonha com um barco, um jet ski, um veleiro, férias em uma das mais belas praias do mundo… Sonhos que se transformados em significado pessoal nos ajudam a reunir nossa capacidade produtiva e focalizar nosso esforço em um único ponto, aumentando assim nossas chances de realização.
Empreender não é certeza de conquistar, de acertar, de vencer, mas é uma oportunidade de estabelecer referenciais futuros e de conhecer os seu próprios resultados, de medir sua capacidade, e de aprender. Quem não estabelece esses referenciais, e opta por apenas colher um resultado, se protege do fracasso, mas ao mesmo tempo, se priva do sabor da vitória.
Bons sonhos a todos, e que eles não se realizem, e sim que vocês os realizem.
Celso Garcia
(matéria publicada na revista Perfil Náutico – março de 2008)
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