Desenho instrucional aplicado ao desempenho individual
Aprender é um processo que envolve mais de dois atores, e para tanto, necessita de uma compreensão mais ampla e contextualizada.
As exigências de buscar atingir os objetivos de capacitação impostos pela necessidade de rápidos resultados evoca uma evolução no conceito de aprendizagem. Por seu caráter processual a aprendizagem é um fenômeno constante na vida do indivíduo.
O modelo tradicional de educação, baseado na emissão/recepção de conteúdos que pressupõem um aprendiz (aluno – alumni – sem luz) preconizam uma estrutura de aprendizagem baseada na transferência e aquisição de conteúdos.
Sendo assim, o desenho instrucional a ser desenvolvido baseado nessa premissa deve atender as demandas da melhor maneira possível, e pode ser aferido através de mecanismos também tradicionais de avaliação.Será esse o único caminho?
Há de se compreender a aprendizagem de outra forma que não pela via da aquisição de novos conceitos que possam ser medidos por uma avaliação formal, já afirmou Rogers (1972) “a ditadura do conteúdo, sufoca a liberdade do aprender”.
Não basta “rechear” as ações voltadas para a capacitação com diversas técnicas de interação grupal, se as premissas que norteiam tais ações estão pautadas em um modelo que a cada dia se mostra menos eficaz.
Mudar a percepção e avançar no sentido de uma compreensão distinta do que é aprender, torna-se necessário para atingirmos a consistência desejada na busca por resultados no trato com pessoas e grupos.
É preciso aproximar o conceito de aprendizagem do conceito de mudança, aquisição, ou desenvolvimento, de novos traços comportamentais. Inevitavelmente, ao adotarmos tal raiz conceitual, devemos considerar o processo de aprendizagem como interacional, relacional e interdependente, composto basicamente por três importantes figuras, um indivíduo em aprendizagem, um educador/facilitador e uma instituição na qual o desenho instrucional acontece.
Desta forma, o desenho instrucional não mais estará a serviço do conteúdo, deverá ser pensado, organizado e aplicado visando a aprendizagem, ou seja, o surgimento de novos traços comportamentais.
Na prática, essa mudança implica em:
- Gestores de T&D capazes de depurar demandas, nivelar expectativas e estabelecer objetivos de aprendizagem possíveis;
- Desenhistas instrucionais com conhecimento em áreas correlatas como dinâmica de grupo e cognição;
- Facilitadores competentes para ocuparem um papel de fundamentais coadjuvantes diante dos grupos e capazes de atuarem como fiéis seguidores de um desenho instrucional consistentemente construído.
Buscar a aprendizagem pela via da conscientização e da maturidade, constitui por si só em um grande desafio a todos os envolvidos com a capacitação de pessoas.
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